E tudo começou há um tempo atrás na ilha do sol. Mentira!
Tudo começou há três dias atrás numa aula do Teacher Zé. Sim, enquanto estávamos na aprendizagem dos verbos e o Teacher gritava "jump, jump, jump" e eles saltavam que nem uns malucos, a Sochea virou-se num entusiasmo parvo a dizer "I know, I know". Depois mandou uns palavrões em khmer e desatou tudo num entusiasmo parvo. Já sabiam o que fazer domingo com o Teacher Zé! Só me diziam "jump, jump", nenhum me conseguiu explicar o que era nem onde mas com tanto entusiasmo, disse que sim, domingo íamos ao "jump".
A tarde de hoje teve um pouco de tudo. Cheguei à Kilt la para as 14h, pronto para o jump. Deparei-me logo com o Chamrong, O rapaz voltou hoje da vila, deixou o trabalho incompleto mas quis voltar. A seguir, apareceu o Sarath. Hoje baldou-se à venda no mercado (deixaram a barraca sem ninguém) porque havia um jump para ir. Assim, estávamos lá todos menos o Sovann, o mais velho que já não mora lá.
A tarde começou como uma tomada de banho dos mais pequenos, todos sem excepção. Eu só perguntei se tinham lavado os dentes, mas eles foram à lavagem e com o calor que estava, entraram no modo automático.
Depois chegaram... as obras. Sim, voltei às obras. Adivinhem para quê? Casas de banho, claro está. Aquela merda (desculpem o termo mas está mais que apropriado) persegue-me. Ainda assim, hoje foi bem mais soft do que a loucura que foi no ano passado. Comecei por carregar baldes de terra. Seguiram-se sacos de cimento (aquela porcaria é pesada) e finalmente, tijolos. Depois aprendi a fazer aquela massa pastosa com os 2 mais velhos que estavam a tratar de por os tijolos junto às portas.
A seguir, veio jogo de escondidas. Todos os pequenos jogaram, incluindo o bebe de 2 anos. Diverti-me mesmo com aquilo. Dei por mim e já andava em cima das arvores a esconder-me atrás do troncos ou enfiado dentro daqueles tanques como os que enterrei no ano passado. Onde quer que me fosse esconder, tinha sempre o bebé a rir e a ir atrás de mim portanto era sempre descoberto.
Seguiu-se jogo de bola, mais um. Pelo meio tenho sempre as mais pequenas a meterem-se comigo, a quererem que as levante, a saltar-me para as cavalitas, a fazerem das minhas costas o seu tuk-tuk.
Quando chegou a hora de ir para o "jump", os mais velhos foram tomar banho, os pequenos molharam-se e todos mudaram de roupa. Foram vestir as suas melhores roupas, afinal iam sair. O La levou o equipamento novo, o Lay os calções novas e o Somen o Lay e a Sokim estavam com a roupa que em tempos foi dos meus primos. Contudo havia um que estava um nojo, o teacher. Toda a roupa cheia de manchas, muitas de suor, muitas do cimento, muitas da terra. Pernas cheias de terra, corpo encharcado do suor e pronto, molhei a cara para não fazer tão má figura ao pe dos pequenos grandes benfiquistas que estavam lindos e fechámos a porta da Kilt. Pela primeira vez, fomos todos juntos a um sitio, desde o bebé aos adultos.
Fomos para o "jump". 2 tuk-tuks a dividir pelos 16, eu, 14 pequenos grandes benfiquistas e um amigo de um que no ano passado também ia às minhas aulas (o rapaz do beat-box). Com muito custo, coubemos todos. O Bel e a mulher foram na mota. Ligámos ao Sovann para ir lá ter e, mais de um ano depois, a familia estava toda reunida de novo. Alegre, num programa divertido tanto para o bebe de 2 anos como para o Teacher de 24.
Aquilo era tipo um parque de diversões (estamos no Camboja, nao se metam a imaginar grandes coisas), com uma musica de fundo daquela bem pesada e muitos insufláveis. Os mais pequenos foram logo disparados para um insuflável enorme, com um escorrega grande. Foram todos la para dentro, aos berros numa alegria doida. Atiravam-se la de cima à malucos. Fizeram-me lembrar eu, quando na idade deles, ia andar na galinha de monte gordo.
Os mais velhos foram para uns daqueles trampolins redondos enormes, mesmo ao lado. As duas raparigas foram para um, os rapazes para outro. Eu era claramente o pior. Eles não paravam quietos, volta e meio davam mortais para a frente, para trás, para o lado, uns atrás dos outros, uns em cima dos outros. São artistas. Eu tentei algumas habilidades mas esqueçam la isso. Ainda mandei la como que meio mortal para trás, mas não foi de todo intencional. Não perdi nenhuma perna e nenhum brao, dói-me só um bocado o calcanhar e diverti-me mesmo. Olhava para o trampolim do lado e tinha as duas miúdas aos saltos, aos berros. Depois volta e meia ouvia do lado do insuflável os meus pequenos a chamar pelo Teacher Zé para me fazerem adeus e saírem disparados para mais uma escorregadela.
Aquilo durou e durou, só acabou quando todos nos fartamos. Aliás, acabou com todos deitados, os pequenos num canto do insuflável e os maiores no trampolim. Pela primeira vez na vida, acho que esgotei as pilhas aos meus pequenos grandes benfiquistas.
Depois fomos recuperar forças, ainda lá na feira. O arroz trouxemos de casa, o resto do jantar comprámos lá. Houve sumos para todos, carne, peixe e aquelas coisas todas que eles gostam. Estávamos todos, sentados naquele estrado a comer, todos juntos de novo! Estávamos estafados, mas todos muito muito contentes. Antes de sair da Kilt mandaram aquele obrigado que me enche de orgulho, em khmer, em ingles e em português. Eu é que agradeço, a alegria deles faz-me tão bem!


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