Hong-Kong é tão grande que eu até tenho medo de me alargar.
Tive 1 dia e 2 noites mas acho que foi tempo suficiente para ter muita coisa a relatar. Claramente pouco tempo para ver tudo (ficou muita coisa por ver) mas claramente demasiado tempo para andar naquela guerra.
Nem sei bem por onde começar, talvez pelo inicio...
Cheguei eram umas 6 da tarde, vindo do barco de Macau. Cheguei, vistos e passaportes, filas de chineses e... liguei-me à net para ver onde era a guesthouse. Quando esperava mais um filme em autocarros ou comboios, descubri que estava a apenas 1 km desta. Fui a pé com as malas... muito fácil. A guerra começou depois.
Cheguei à morada mas... welcome to Hong Kong! Temo nem conseguir descrever como aquilo funciona. Entras no arranha-céu, no piso debaixo, e tens tipo um "centro comercial". Uns 10 blocos de elevadores diferentes, cada um no seu canto. Cada bloco tem montes de andares, cada andar até 3 Guesthouses. O primeiro filme foi encontrar qual o bloco da minha guesthouse. Claro que me enganei, tive uma meia-hora na fila do elevador errado, subi para voltar a descer.
Ódepois, encontrei o bloco de elevadores, sabia o andar e estava resolvido o problema. Foi então que me meti num desses 2 elevadores que lá estavam. Decisão errada. Os elevadores não param nos pisos todos. Claro que o que parava no meu piso era o outro. Adivinhem o que aconteceu? Subi para voltar a descer. À terceira consegui, lá dei com a receção do hotel mas... o meu quarto era noutro sitio, noutro bloco de elevadores pelo que foram mais 30m na fila para subir novamente. Aqui já ia com o gajo da guesthouse pelo que não me enganei. Fantástico, parecia mentira! A parte em que eles tinham um ar no mínimo assustador e todo o edificio e o piso cá debaixo estava repleto de gente com mau aspeto que me oferecia droga em qualquer esquina não vou referir por respeito ao coração da minha avó!
Finalmente no quarto... E esta é de longe a pior parte. O quarto não tinha mais que 2 metros quadrados, e não, não estou a exagerar. Era uma cama encostada à parede e em que eu deitado nela conseguia tocar com a cabeça e pés nas paredes do fundo ao mesmo tempo. Que proeza! Esticava os braços e chegava à outra parede. As malas só cabiam debaixo da cama. Btw, eu juro que estou do mesmo tamanho, talvez já um bocadinho mais magro, só isso!
O pior é que a cama era um nojo. Eu não sou nada esquisito com essas coisas mas lençóis muito porcos (tive que usar a toalha da decathlon para meter por cima) e uma almofada a cheirar muito, muito mal que foi logo para debaixo da cama. A casa de banho tinha bichos por todo o lado e o ar condicionado estava ligado mas não funcionava portanto imaginem o calor que não estava lá com uma brasa como eu enfiada naqueles 2 metros quadrados! A vizinhança era má e ouvia-se tudo pelo que confesso que tive algum medo. Resumindo e batalhando (mesmo de batalha e sem baralhações), foram 2 noites literalmente sem dormir. Importa referir antes de me chamarem nomes pela marcação que fiz e quão forreta fui, a localização era fantástica!!
Quanto à cidade em si, adorava ter mais coisas para contar... Tive apenas um dia para ver aquilo, que acabou por não ser um dia completo. Foi muito difícil ser turista em Hong Kong mas valeu-me a teimosia. Estava praticamente de direta e estafado (as noites de Macau arrumam uma pessoa), estava um dia de me***, sempre a chover e muito nublado mesmo e... estava com uma caganeira do pior. Sim, desta vez os meus ricos intestinos aguentaram 3 dias, 1 vez doente já a contar para a aposta. Assim, a manhã foi pouco produtiva em termos de turismo, bastante produtiva em termos de obras deixadas naquela guesthouse. Por falar nisso, esqueci-me de referir um pormenor importante, que muito mais importante se tornou dadas as condições intestinais... não havia papel higiénico, apenas aquela mangueirinha que os asiáticos usam pelo fiquei um expert na matéria (mais uma habilidade para acrescentar ao CV). Que filme!!
À tarde teimei que iria para Hong Kong, para a ilha propriamente dita, ver aquilo e...assim foi. Apanhei o barco e siga para bingo. Aquilo é uma confusão enorme, nem sei se consigo descrever mas vou tentar...
Tinha um mapa comigo e tinha apontado as principais zonas a visitar. O Victoria Peak foi logo excluido porque o nevoeiro era mesmo muito. O Big Buddha igual. O resto fiz mas com bastante dificuldade. Tentava andar pela rua mas era impossível, há zonas que simplesmente é impossível o peão passar. Assim andas nos arranha-céus, de passadiço em passadiço a saltar de edificio em edificio com os carros por baixo. Às tantas perdes completamente a noção do sitio onde estás, tens um mapa com as ruas e o google maps no telemóvel a dizer-te as ruas mas tu, tu estás nos edifícios e portanto não fazes a minima ideia de como te deves orientar. Pior, se tentas parar para ligar a net e pensar um bocadinho como um bom alentejano faz, corres o risco de ser atropelado por um rebanho de chineses portanto o truque é ir no meio deles e deixar andar. Carros atrás de carros no piso 0, chineses atrás de chineses no piso 1, perdi horas no meio daquilo e posso ter visto pouco mas fiquei a saber o que é Hong Kong. Ainda assim dei com a zona dos bares, comprei o copinho do hard rock para a coleção e andei lá às voltas junto da Bahia. Valeu bem a pena.
À noite passei para o outro lado para ter aquela vista fantástica da Bahia de Hong-Kong e ver a "symphony of light". Uma coisa podem ter a certeza, só isso fez valer a pena tudo o resto!
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