Em minha defesa, tenho algumas desculpas para isso e não me esqueci dos meus pequenos grandes benfiquistas, como é obvio, foi só de lhes dar aula. Aliás, tive com eles à tarde e à noite e tenho a certeza que aprenderam muito bem a dizer "full" e a cantar o "happy birthday". Portanto vamos dizer que houve uma visita de estudo vá, não houve a aula com cadernos e quadro mas houve alguma aprendizagem.
Ora bem, lembram-se de ter contado que no 1º dia, os pequenos grandes benfiquistas se terem lembrado das festas de aniversário do ano passado e termos andado a ver se algum fazia anos nestas semanas? Na altura vimos que estávamos com azar. Dos que sabem quando nasceram (há muitos que não fazem ideia), nenhum fazia por estes dias. Só que... havia um grande benfiquista (esse já não é pequeno) que estava na vila na altura e que portanto, não entrou na conversa. Segunda-feira na aula, logo quando estávamos a escrever a data, tive como que uma lembrança divina e perguntei-lhe. Ora acertei no tiro ao alvo, 22 de Setembro de 2016 e o Chamerong comemora os seus 18 anos. Se perdi a festa de 18 do meu primo na semana passada, jamais perderia a oportunidade de fazer a festa de 18 ao grande benfiquista.
Assim que soube disse-lhe logo que na quinta lhe trazia um bolo. Na terça voltámos a esse assunto, ele disse que preferia antes uma coca-cola grande, que desse para todos. Ontem quando ia confirmar, mudou antes para fanta. Assim foi, hoje cheguei à Kilt com um bolo, 18 velas e 1 fanta de 5 ou 6 litros.
Disse logo que o que tinha na mochila mas disse também para esperarmos pelas 17h que era quando o Lay, o Sarath e o Chameoun voltavam. O rapaz já estava todo contente, afinal este ano iam todos cantar-lhe os parabens. Eu esqueci-me da aula porque houve a conversa do bolo, o dar os parabéns, depois chegou o Sovann (aluno mais velho) que eu lhe tinha dito para ir ter à kilt que havia bolo, depois caiu uma trovoada enorme e logo quando eu estava no quarto dos rapazes que deixa passar agua e depois olhem, nunca mais me ocorreu a parte da aula. Ainda andámos por ali a lavar roupa e nas brincadeiras do costume. Entretanto eram 17h, chegaram os restantes e houve bolo, fanta e cantámos os parabéns.
O que o Chamerong não sabia é que não íamos ficar por ali. Se eu me esqueci da aula foi porque também havia um entusiasmo extra na kilt. O Chamerong não fazia ideia, fui eu que lhe disse, mas os outros todos sabiam que íamos jantar ao restaurante. Combinámos fazer surpresa e não sei muito bem como, nenhum se descaiu. Sei que ha outras prioridades, que até pode parecer parvo levar os miúdos que comem arroz e pouco mais todos os dias a todas as refeições a um buffet all you can eat, mas isso para mim só é mais uma razão para o fazer e só eu sei a alegria deles por irem. Não, não é de todo como nós quando vamos ali ao restaurante porque não apetece cozinhar ou arrumar a cozinha. E se nós vamos jantar fora por tudo e por nada, se reunimos à volta duma mesa cheia de comida sem ser preciso que haja motivo, eu também acho que os meus pequenos grande benfiquistas devem ir ao restaurante pelo menos uma vez enquanto o teacher Zé está por cá.
Assim vivemos um bocadinho o que já tínhamos vivido no ano passado. Tudo a tomar banho e a dar o melhor de si para ir jantar fora. Todos vestiram as suas melhores roupas. 2 tuk-tuks para os pequenos grandes benfiquistas mais o vizinho do lado, eu fui de bicicleta com o mais velho (já não íamos voltar para a kilt à noite), outra bicicleta para a irmã do Sovaan e o cunhado que também foram e o Bel, a mulher e o bebé na moto. Éramos... muitos.
Depois um filme já conhecido. Tabuleiros e tabuleiros de comida, o crocodilo é o maior sucesso. Todos contentes a comer e a comer até não caber mais. O Las e o Lay, filhos da ex-cozinheira que no ano passado não foram por não estarem na kilt, nunca tinham ido ao restaurante. Se o mais pequeno no fim me foi mostrar o buffet e apontar para o que tinha comido, o mais velho não se dava levantado da cadeira e não tirava a mão da barriga com a quantidade que tinha comido. Os outros lá estavam, de boca aberta, a mostrar-me as bocas cheias de comida e a dizerem "full" ou "not yet". Tivemos lá duas horas e meia e eles sempre a comer. Portaram-se muito bem. O Chamerong estava radiante, claro. A meio chamou-me e quis fazer um brinde comigo. No fim, depois do agradecimento geral que todos fizeram, veio agradecer em particular e nos olhos. Não tenho duvidas que hoje marquei aquele miúdo e quando for velho provavelmente assim vai lembrar do dia em que fez 18 anos.
Foi aquele obrigado que soube muito bem ouvir... só tenho pena de não conseguir dar um dia assim a todos.
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