O Camboja está igual ao ano passado, com algumas diferenças.
É verdade que este ano pouco falei do clima, da comida, da bicharada, dos monges, da população em si. Está tudo igual, já não é novidade. Aqueles pormenores todos que me fascinaram no início, quando lá aterrei pela 1ª vez, já me passam despercebidos. Não só pelo hábito mas também porque, ao fim de algumas semanas de lá estar, descobri o principal fascínio daquilo. A sensação de liberdade, a alegria dos miúdos, a gratidão diária por conseguir fazer do mundo um lugar um bocadinho melhor, a realização pessoal que é conseguir fazer a diferença (ainda que pouca!) e as pessoas por quem me deixei rodear que me mostram todos os dias o mundo de uma perspectiva tão melhor.
É verdade que este ano pouco falei do clima, da comida, da bicharada, dos monges, da população em si. Está tudo igual, já não é novidade. Aqueles pormenores todos que me fascinaram no início, quando lá aterrei pela 1ª vez, já me passam despercebidos. Não só pelo hábito mas também porque, ao fim de algumas semanas de lá estar, descobri o principal fascínio daquilo. A sensação de liberdade, a alegria dos miúdos, a gratidão diária por conseguir fazer do mundo um lugar um bocadinho melhor, a realização pessoal que é conseguir fazer a diferença (ainda que pouca!) e as pessoas por quem me deixei rodear que me mostram todos os dias o mundo de uma perspectiva tão melhor.
Ainda assim, para quem não conhece nada do Camboja e para quem vai passar meia-dúzia de dias àquele país, acredito que tenham algum interesse todas as outras coisas.
Aterrar no Camboja é sempre diferente. Deparaste logo com aquele aeroporto
pequeno em que sais do avião directamente para o solo e, onde metes um pé no
chão e sentes um bafo enorme e começas a transpirar. Sim, o clima está
igual mas este ano foi bem mais suportável. Setembro é o auge da rainy season,
ou seja, a pior época para visitar, ou melhor, depende da perspectiva. Contudo,
é a altura do ano com menos turistas. A humidade é imensa, está um calor do
pior e transpiras muito mas não estão os 40 graus que estão lá para Maio, nem
tão pouco passa dos 30. Assim transpiras, precisas de ar condicionado no quarto
e bebes uns litros de água por dia mas sobrevives bem. Aquela sensação de tomares banho e 2 minutos depois estares a
suar não tive, nem tomei mais de 2 banhos por dia (andava sempre nojento, é um
facto). Comprava garrafas de água pequenas enquanto no ano passado era ao litro e meio, várias por dia. Depois há a chuva, diária e quase sempre lá para as 17 horas. Hora a
que voltava da Kilt muitas vezes, e foram muitas as vezes que cheguei pingando a
casa. No ano passado era o máximo, pensava sempre que se chegasse assim a casa em
Portugal a minha mãe me matava. Agora é normal, calção e t-shirt ensopados, é tomar
banho ao regressar ao quarto e por a roupa a secar. A chuva é bem-vinda, disfarça as manchas de suor, lava parte da roupa, refresca o corpo e dá uma sensação de liberdade pedalar na terra com trovoada que só mesmo experienciada. Era o inverno local mas não
me lembro de ter usado o casaco uma única vez.
A bicharada também continua igual. Se fui muito picado? Se fui. Na
Kilt, então, é impossível. Dás aulas e sentes as formigas a subirem-te pelas
pernas acima e volta e meia levas chapadas de miúdos que, simplesmente, estão a
matar mosquitos em ti. Só que além do repelente, também ando sempre com o tiger
balm no bolso, a pomada milagrosa cambojana. Assim, sempre que sou picado meto aquilo,
fico anestesiado e não sinto mais nada. Só não posso esfregar os olhos a
seguir e tenho que ter muito cuidado com as idas à casa de banho se não lavar as mãos entretanto,
caso contrário... não quero contar pormenores, mas é um sofrimento. Além dos mosquitos, tudo o
resto continua por ali. Ao espreitar para debaixo da cama no ultimo dia, a ver
se não ficava lá nada, contei logo três baratas (não, não as pus na mala e não, não as comi). Lembro-me também de ver um
sapo aos saltos no corredor da guesthouse ou uma aranha enorme à minha porta, mesmo
assim, acho que foi mais soft que no ano passado. Ou... lá está, eu já não procuro nem me preocupo com
os bichos. Tinha também uma osga na casa de banho do quarto, talvez tenha
ajudado.
A comida, a grande preocupação da minha avó. A principal da
extensa lista, acho eu. Se no ano passado mandei muitos tiros ao lado, este ano
já domino aquilo e digo-vos, comi mesmo muito bem. Comia pouco, poucas vezes ao
dia, mas o que comia era realmente muito bom. Eu adoro a comida local, não me
pus a inventar e tentar comer sopas com isto e aquilo nem tão pouco andei a
brincar ao ir comer insectos (isso, como escrevi no ano passado, é brincadeira
para se fazer uma vez na vida até porque aquilo além de caro, é mau). Ainda
assim, comi sempre pratos locais, apenas 1 vez 1 pizza no restaurante italiano
do amigo do Moh em que as pizzas são realmente boas. Repeti muito sitio que já
conhecia, tentei mais uns novos e dei-me sempre bem. Os amoks, os khmer currys, os
lok-laks ou as pumpkin soups são realmente muito bons. Tive lá mais de 2 semanas e
nem uma dor de barriga, nem tão pouco uma caganeira. Sim, consegui superar a missão impossível. Quem diria?!?! Já conheço, já não enganam
e já não regresso na fraca figura do ano passado com menos 10 kgs. Perdi só 7 kgs, mas foi à falta de quantidade e não de qualidade.
A perda de peso continua a ser a aventura que atrai mais pessoas ao Camboja após ouvirem a minha historia, em sabendo disto muitos querem ir. É quase ofensivo, com tanta coisa que escrevo, quererem ir sobretudo pelos quilos que se perdem lá mas pronto, dou-vos o desconto, vocês o resto não conhecem e ler as postas de pescada que escrevo é capaz de até ser giro mas nada ao pé do giro que é vivê-las. Mas experimentem ir, venham comigo na próxima e testemunham como a perda de peso é só a cereja no topo de bolo.
A perda de peso continua a ser a aventura que atrai mais pessoas ao Camboja após ouvirem a minha historia, em sabendo disto muitos querem ir. É quase ofensivo, com tanta coisa que escrevo, quererem ir sobretudo pelos quilos que se perdem lá mas pronto, dou-vos o desconto, vocês o resto não conhecem e ler as postas de pescada que escrevo é capaz de até ser giro mas nada ao pé do giro que é vivê-las. Mas experimentem ir, venham comigo na próxima e testemunham como a perda de peso é só a cereja no topo de bolo.
Os budas continuam por todo o lado, bem como os Monges. Nada
comparado com Bangkok que essa cidade está mesmo minada em templos, mas vês sempre aqueles carecas laranjas a passar na rua. Desta vez, não me meti com nenhum
deles, fui ao Pagoda que ganhou a qualquer conversa ou foto que tirasse com
aqueles mal-cheirosos.
Os cambojanos continuam iguais a si próprios. Montes e
montes de crianças, e todos eles uma simpatia incrível. Familias enormes, cheios de irmãos, são claramente mais que as mães e pelo menos, do mesmo numero que os pais. Podes fazer amigos em
qualquer lado, na rua com o tuk-tukers, no café, no restaurante ou no
supermercado. Muitos deles continuam corruptos, atrás de drogas, prostituição
ou massagens perversas, tabaco ou álcool. Aquela pub street está minada de
pecado, mas o povo em si continua encantador. A maioria das pessoas tem uma
historia de vida fascinante e todas elas te recebem de braços abertos.
Continuam pobres, com um salario de $100/mês, mas continuam felizes, contentes e
com uma descontração e alegria que não encontrei em mais lado nenhum. Mentira,
encontrei em Maio no estadio da luz, no ultimo jogo do campeonato quando o
Benfica já vencia e o Paulo Lopes estava para entrar!
Depois além dos cambojanos há os turistas/voluntários. Este
ano por ser setembro eram bem menos mas ,ainda assim, bastantes. Depois cada um
escolhe a experiencia que quer ter no Camboja. A estrada do aeroporto ao centro
é de alcatrão, com hotéis de luxo, spas, restaurantes de um lado e do outro. O
centro é movimentado a toda a hora, restaurantes, massagens, tuk-tuks e
carrinhos de comida ambulante, sempre com musica ambiente. O caminho para o
Angkor Wat também é de alcatrão, e apesar já só ter mato à volta, a estrada é
boa e só vês tuk-tuks cheios de turistas a passar. Assim podes andar nos
templos, nas massagens, nas piscinas e ter uma ideia do Camboja fantástica, tudo
baratíssimo, ambiente descontraído, uma alegria no ar e aquela maravilha do
Mundo que é o Angkor. Depois também podes ter outra experiencia totalmente
diferente, basta na estrada do caminho para os templos te meteres numa das ruas
de terra batida perpendiculares, onde é a kilt ou onde são as entregas do touch a
life. Aí começas a ver as casas locais, as crianças locais, a bicharada a
sério, a falta de higiene, de roupa, de condições, de tecto ou de comida. A
verdade é que essa experiencia poucos escolhem ter. Veem uns miúdos ou outros a
pedir no templos, dão-lhes comida ou dinheiro, veem um gajo ou outro passar em
tronco nu, uns sem uns braços ou sem umas pernas e chega para ficarem
impressionados, umas mães com filhos nos braços a pedir no centro da cidade, e tudo isto chega para tirarem uma foto e colocarem no instagram ou para voltarem
aos seus países e dizerem o quão pobre é o Camboja. Visitam um orfanato como quem vai ao jardim zoológico ver as girafas e são maravilhosas, esquecem-se que as girafas são crianças, ser-humanos que merecem ser respeitados e jamais expostos ao mundo pela simples razão de serem pobres. Mas podes ser voluntário a sério, podes aventurar-te numa NGO e abraçar uma causa nobre, podes escolher ter um mês, uma semana, um dia, umas horas diferentes daquelas a que estás habituado, vivê-las a sério e sentires uma gratidão e realização sem igual. Os que
optam pela 1ª experiencia ficam a adorar o Camboja e a querer voltar mas sem
nunca o concretizarem, quem arrisca a segunda fica apaixonado pelo Camboja e
volta sempre que conseguir. Eu tive a sorte de arriscar a segunda e mais
sortudo fui por me ter dado maioritariamente com pessoas que também o fizeram.
Assim, voltarei... As soon as possible! Mais uma vez não preciso de ir aos templos (nem ao Angkor fui desta vez), sair à noite (nem 1 dia sai até tarde nem uma noite de copos fiz), andar de tuk-tuk (só o fiz com os miudos e no caminho para o aeroporto com as malas) e andar nos grandes restaurantes com terraços e vistas bonitas (também nem uma vez que fui) mas sei que quando voltar, e como sempre acontece, serão os melhores meses do ano! Também sei que terei muitos braços abertos para me receber e isso... isso é o bem mais valioso que tenho (e atenção que quando era pequeno a minha avó satisfazia a parvoíce do netinho e oferecia-me medalhas de prata do Benfica!). E é por isto pais, que quando a nossa casa esteve para arder, eu liguei a saber o que queriam que levasse de casa e não peguei em nada meu, os meus bens mais valiosos estão seguros lá do outro lado do Mundo.
P.S.: Não me despeço já, o epilogo chegará em 2/3 dias.
Assim, voltarei... As soon as possible! Mais uma vez não preciso de ir aos templos (nem ao Angkor fui desta vez), sair à noite (nem 1 dia sai até tarde nem uma noite de copos fiz), andar de tuk-tuk (só o fiz com os miudos e no caminho para o aeroporto com as malas) e andar nos grandes restaurantes com terraços e vistas bonitas (também nem uma vez que fui) mas sei que quando voltar, e como sempre acontece, serão os melhores meses do ano! Também sei que terei muitos braços abertos para me receber e isso... isso é o bem mais valioso que tenho (e atenção que quando era pequeno a minha avó satisfazia a parvoíce do netinho e oferecia-me medalhas de prata do Benfica!). E é por isto pais, que quando a nossa casa esteve para arder, eu liguei a saber o que queriam que levasse de casa e não peguei em nada meu, os meus bens mais valiosos estão seguros lá do outro lado do Mundo.
P.S.: Não me despeço já, o epilogo chegará em 2/3 dias.
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